Mais um dia de ficção.
São meus dias de consumir intensamente obras fictícias, como o próprio nome já diz, e hoje foi meu dia de Californication. Um escritor que não escreve, pronto apenas para transar com qualquer coisa que se mova e use saia (menos escoceses) me fez lembrar de mim mesma. Qual é exatamente o vazio que o sexo preenche na nossa vida?
Tá tá, estou preparada para as piadas, mas além da aparente piada temos uma questão real, o que a presença de outra pessoa supre em nós mesmos?
Eu não estou conseguindo escrever.
Infelizmente tenho uma relação estúpida com as obrigações, me considero responsável por milhares de coisas que não sou necessariamente, apenas pela minha vontade. Considero decepcionar certas pessoas impensável, mesmo não me agradando, mesmo me decepcionando. Obrigações incompatíveis com a realidade, apenas aquela da minha cabeça. Uma louca que acha que deve levar todas as coisas em suas costas, passado, presente e futuro.
Mas nada disso é meu de verdade.
O passado deve ficar onde ele está, bem longe desse momento.
O presente deve ser vivido sem a ansiedade do que está por vir.
O futuro vai ser, não podemos prever, muito menos sofrer por isso.
Eu vivo no passado e no futuro, muito pouco no meu presente.
Não consigo escrever como o personagem principal de Californication, mesmo escrevendo compulsivamente, o dia todo. Eu tenho esse blog, o blog da revista, um diário e falo o dia pelo MSN e e-mail com várias pessoas, sem contar o Orkut. Passo a maior parte do meu dia digitando, escrevendo coisas, mas que valor elas tem? É isso, tudo que eu quero dizer?
Não.
Nada disso é a minha voz. Nada disso é o que eu quero dizer.
A minha impressão é que nos afundamos em esperanças emocionais, uma montanha-russa, tentando achar algum sentido. Algo que preencha o vazio de não dizer o que se quer. De não se fazer o que quer. Qual é a responsabilidade de alguém que assume muito mais que se pode?
É um desejo tão forte de auto-destruição, como de um viciado em heroína.
Que vida temos quando olhamos em volta e não somos amados por nada?
O cinismo nubla tanto as coisas, que nem mesmo quando nos dizem que existe amor podemos acreditar. Pessoas tolas assim como eu. Assim como o escritor que não escreve.
Quando consigo me livrar de coisas que me prendiam no passado posso perceber como é vazia a aparência que eu vivo. Uma casca oca.

