domingo, 6 de julho de 2008

A vida e a Morte...




É engraçado como a vida se mostra plural se pararmos para observar.


Antes de ontem meu melhor amigo fez uma operação no rim, nada com risco, mas uma intervenção profunda, ele tirou 16 pedras de lá, e algumas bem grandes. Ele teria que ficar internado até segunda, mas recebeu alta hoje mesmo.


Ontem de noite eu fui em uma festa. Uma amiga tinha me dito que seria uma festa a fantasia e eu me preparei, me vesti de Morte (personagem do Neil Gaiman em Sandman), e um pouco antes de ir minha amiga me ligou de volta, dizendo que era uma festa junina, e evitou que eu passase uma grande vergonha.

Supostamente essas coisas não teriam muito em comum, se não fosse uma observação um pouco mais detalhada. Ao lado do quarto em que meu amigo estava internado ocorreram duas mortes ontem. Uma de um velhinho e de uma senhora. E eu perguntei como ele tinha se sentido, ele me disse "estranho".


De fato é muito estranho como lidamos com "ela", a Dona Morte. Nossa única certeza, nossa companheira em todos os passos do caminho. Não de uma maneira pessimista eu digo isso, mas como uma verdade que custamos ver. Por isso eu gosto tanto da Morte descrita pelo Neil Gaiman, uma moça simpática e bonita, que nos sorri enquanto faz seu trabalho.


Quase agora eu fiquei sabendo que o avô de um outro grande amigo também morreu, e todos nós sentimos muito por isso. Nunca estamos preparados, mesmo com um ente querido já doente.


É inusitado pensar que em algumas culturas a morte é vista como uma benção, o momento de deixar pra trás o mundo material de provações e expiações e se tornar livre de verdade, ser um antepassado ou se tornar um orixá.


Mas me sinto muito materialista para encarar as coisas dessa forma. Aquilo que é físico é que nos faz lembrar da vida. O que me leva a segunda parte desse post, a vida.


Quando assisti "Sociedade dos Poetas Mortos" uma cena sempre me chamou a atenção, o professor atrás dos seus pupilos, que observam as fotos dos antigos alunos, murmurando Carpe Diem. Cena clássica do cinema. Sempre me emociona.


O recado é simples, a vida é curta, a morte é nossa companheira, então por que passamos tanto tempo fazendo coisas das quais não gostamos? Coisas que outras pessoas nos obrigam a fazer? Eu escrevi um post sobre essa expressão um tempo atrás, mas sempre que alguma coisa se coloca pra mim, que me faz pensar sobre como levar minha vida, eu me lembro desse filme.


Outra coisa me aconteceu ontem, que me fez refletir muito. Eu conheci um rapaz legal, com os gostos parecidos com os meus, sabe aquele tipo de pessoa rara de se encontrar, que completa suas frases e vice e versa? Pois então. Estávamos na festa, e achei que não seria problema nenhum ficarmos, mas ele não quis.


Falou sobre um monte de coisas confusas sobre sua vida, que não se sentiria bem. Sem entrar em detalhes, me pareceu que apenas não era o momento apropriado. Mas qual é esse momento?


De fato os instantes que passaram não voltarão mais, cada segundo corrido é um sopro de vida que se esvai. Então por quê, diabos, passamos o tempo todo nos preocupando com coisas sem sentido e deixando de viver?

Os momentos bons são como sonhos. Seria apenas uma tolice não vivê-los...




E temos o dever de vivê-los por todos os que já se foram, por todos nós. Precisamos viver para a felicidade, não para se lamentar. Apenas isso.




1 comentários:

Pedro disse...

valeu pela força, Ana
bjo

 
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