Não era desse jeito que eu gostaria de começar esse texto. Acabei aprendendo que colocar "eu acho" não é confiável, que passa insegurança. Tentei pensar em outras coisas como "acredito", "descobri", mas sei lá, nada disso era o que eu queria dizer. Eu não gosto muito de eufemismos. Mas vamos lá...
Eu acho que o conhecimento é uma coisinha bem estranha, que se instala na nossa cabeça e se esconde, só esperando um momento para sair. Essas coisas acontecem muitas vezes comigo. Alguns dizem que eu sou lerda ou desligada (o que pode não ser mentira: P), mas é assim, uma letra de música que eu conheço há muito tempo e eu só vou entender seu real significado depois de anos, e geralmente é por causa de uma conversa boba ou de um filme, as coisas na minha cabeça "caem a ficha" de vez em quando.
Foi assim com uma música do Raul que dizia, "pena eu não ser burro, não sofria tanto", e eu conhecia essa música desde criança, mas não entendia o real significado dessa frase, hoje eu entendo.
E também foi assim com "Vidas Breves", o arco de histórias do Sandman que eu li essa semana. Tudo estava ali, na minha cabeça escondido, pronto para emergir, e por isso lá vai a minha conclusão.
A Morte diz para um cara de que viveu quinze mil anos quando é perguntada se o advogado em questão se saiu bem, se ele viveu bastante tempo, que "Viveu tanto quanto os outros, uma vida inteira". Uma vida inteira. Mesmo ele, com quinze mil anos, pediu mais um pouco de tempo. Quem com tanto tempo não realizou tudo que queria? Quem com seis meses de vida realizou alguma coisa? Afinal, mesmo o bebê vive uma vida inteira, todos vivemos.
Como o arco mesmo diz todas as vidas são breves, mesmo a dos imortais. Todos na sua proporção.
Esses dias eu li em um blog, um texto muito interessante por sinal, que dizia "Carpe diem uma ova, não vamos aproveitar o dia". Uma teoria muito boa, com um texto bom. Eu entendi o que ele queria dizer, que devemos nos dedicar a realizar nossos objetivos com trabalho e não com uma filosofia sobre apenas "relaxar e gozar", e é verdade.
Eu vi essa expressão, "Carpe diem", pela primeira vez em um filme chamado "Sociedade dos Poetas Mortos". Um filme realmente maravilhoso e na cena em questão, o professor revolucionário mostra uma foto de ex-alunos para uma classe, quase todos mortos, fotos antigas, e eles diziam "carpe diem". Os personagens desse filme, os jovens representados lá é que pareciam mortos, jovens engessados por uma sociedade opressora, pessoas que precisavam "relaxar e gozar" um pouco. Era a frase certa para as pessoas certas, e é verdade também.
Mas sabem o que eu acho que seja verdade para mim, para essa época, para os jovens que eu conheço? Afinal não podemos generalizar nada. Eu acho que a vida é breve.
Breve demais. Mesmo para quem vive quinze mil anos. E sim, devemos aproveitar o dia, viver plenamente. Mas afinal, o que é viver plenamente?
Para mim é tentar ao máximo ser feliz, alcançar seus objetivos, construir alguma coisa. Viver plenamente não é sentar e esperar que as coisas aconteçam, é fazer cada dia ser um dia mais próximo de alcançar um sonho. Não podemos nos esquecer que a realização dos nossos sonhos é que nos torna diferentes, especiais. A vida plena é repleta de realizações. E devemos aproveitar cada dia para concretizá-las.
Afinal, a vida é breve, mesmo para quem viveu quinze mil anos.
domingo, 30 de dezembro de 2007
Eu acho...
Postado por Ana Recalde às 04:18
Marcadores: aproveite o dia, carpe diem, eu acho, sociedade dos poetas mortos, vidas breves
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2 comentários:
Seu blog é lindo meu amor... só ficaria mais belo, se tivesse mais fotos suas nele...
Te amo muito... vc é minha blogueira favorita...
Oi Ana, Concordo com você em baixo, guitarra e bateria, ou seja, em número, gênero e grau.
O contexto é que dá sentido à uma frase, conselho, etc...
Embora certas "verdades universais" continuarão sendo "verdades universais" em qualquer contexto, mesmo para alguém de quinze mil anos.
Gostei muito desse texto; textos que fazem pensar são tão importantes quanto os que fazem rir ou chorar.
Abraços!
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