Em homenagem ao dia dos namorados estou colocando um texto aqui que fala sobre amor.
Não, não estou falando de amor como a maioria das pessoas o vivencia, mas de uma forma de amar.
Algo que eu escrevi aos meus 15 anos de idade. Aproveitem...
Leiam como um diálogo, leiam como duas coisas separadas, leiam como um texto só, e interprete como quiser... pois assim é mesmo o amor...
Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
O Amor...
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
O Poder das Palavras

Eu não sou uma pessoa religiosa.
Confesso que tentei ser, por diversas vezes, mas a minha curiosidade me impedia de permanecer em apenas uma fé. E o meu pragmatismo também.
Nem posso me considerar uma grande estudiosa em religiões, já que nunca me aprofundei em demasia em nenhum dos estudos que eu fiz sobre o assunto. Mas um estudo em especial me cativa a atenção, a Cabalá. Sou muito menos que uma iniciante no estudo e me falta elementos para tecer comentários mais elaborados.
No entanto, vou citar aqui uma das coisas que mais me intriga no assunto, O PODER DAS PALAVRAS. Na Cabalá dizem que cada palavra possui um significado muito maior que apenas o semântico, que cada letra do alfabeto hebraico representa um universo inteiro de significados, e que se o universo perdesse uma delas tudo estaria perdido. Dependemos dessas palavras para nos comunicarmos com D’us.
Indo para lados um poucos diferentes temos ainda o mito que, dentro da magia, se soubermos o nome verdadeiro de alguma coisa, teremos o controle sobre ela. Seja ele o mago mais poderoso do mundo, poderia ser invocado diante da menção de seu nome verdadeiro. Por isso que, dentro de muitas religiões pagãs, as pessoas são renomeadas. Mantendo o seu nome mágico em sigilo.
De uma maneira geral, a humanidade respeita o poder das palavras.
Fugindo um pouco do universo metafísico temos os artistas e escritores. Temos a arte em palavras. Quem poderia dizer a um fã confesso de Senhor do Anéis que aquele universo é pequeno, apenas por ser descrito em palavras? Ele é menos importante por ser um livro?
A poesia, que muitas vezes mudou a sociedade de maneira drástica é menos revolucionária por ser em papel? Onde a sociedade estaria sem as palavras profundas e provocativa de muitos autores? Marx, Dostoievski, Freud... apenas para citar alguns.
Então, hoje alguém estava discutindo sobre a validade de se apaixonar por alguém que se conhece apenas por suas palavras, por suas opiniões. O dilema moderno do Real x Virtual. Longe de mim tentar chegar a um consenso sobre o assunto, mas queria colocar aqui a minha opinião.
Quando somos mais novos temos uma tendência a nos apaixonarmos em uma velocidade grande, muitas vezes platonicamente, muitas vezes por aquele menina/o bonito da nossa sala. Ou nossos professores. Temos na nossa literatura “nerd” milhares de casos, hehehe... Peter Parker e Mary Jane, Superman e Lois Lane (afinal a Lois se apaixona pelo Superman pelo que ele representa, muito mais do por quem ele é).
Mas de fato podemos dizer quem são essas pessoas? Quem é aquela menina bonita que trabalha com vc?
O que nos define como pessoa vai muito além da aparência, tem muito mais a ver com nossas convicções, com nossos gostos pessoais.
É claro que a aparência é importante para estabelecer uma relação, principalmente por que é a primeira coisa que nos deparamos a conhecer alguém.
Mas e se pudéssemos saber características de uma pessoa sem conhecermos sua aparência? E se soubéssemos suas opiniões mais intimas sem necessariamente ver a pessoa? Seria possível admirarmos e depois de um tempo (um ano ou mais talvez) de contato intenso (diário) nos apaixonarmos por essa mesma pessoa?
O ambiente virtual nos propicia uma coisa muito semelhante a isso.
A possibilidade de sabermos quem é alguém, não apenas como ela se parece, a possibilidade de vermos a pessoa sem todas as máscaras e convenções que a sociedade nos obriga a usar em ambientes como o trabalho, faculdade, balada.
Como, no ambiente de trabalho poderíamos saber se a pessoa gosta de ruivas ou morenas? Como poderíamos saber se essa pessoa conhece cultura russa? E quantas pessoas se apaixonam sem ao menos saber isso?
Se estamos em uma sociedade que aceita plenamente que alguém se apaixone pela aparência de alguém, por que não aceitar que exista o mesmo sentimento pelo que a pessoa diz, ou demonstra ser?
É necessário que tipo de informações para que nasça um sentimento verdadeiro?
Bom, meu texto está com mais perguntas que respostas, hehehe. Mas a idéia é essa mesmo. Levantar questões que muitas vezes não pensamos, questionar as convenções estereotipadas. Coisas que pessoas anárquicas, insatisfeitas com as convenções, intensas deveriam se questionar. A política, a revolução e a paixão são feitas por palavras. Afinal, as palavras tem poder.
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
Nerdquest
Espaço aéreo brasileiro, entre SP e MS.
Acabei de ler Nerdquest, de Pedro Vieira, e fiquei com uma vontade enorme de fazer uma resenha sobre o livro. E buscando os meus canais achei que o melhor seria publicar essa resenha aqui no blog. Espaço abandonado por mim há milênios, mas ainda um espaço que posso chamar de meu.
Ontem, depois da gravação de uma entrevista onde o autor estava presente (e por insistência característica), consegui uma cópia de Nerdquest.
Como ia viajar do Rio de Janeiro para Campo Grande, com conexão em São Paulo, resolvi trazer o livro comigo. E qual não foi a minha surpresa quando “devorei” em menos de uma hora e meia a história de Lucas e seus amigos.
Foi vergonhoso, eu ria sozinha dentro do avião! As pessoas olhavam torto e até meu filho, Daniel, pediu para que eu parasse. Uma leitura rápida e divertida, com uma narrativa leve e despretenciosa.
Pedro consegue materializar os personagens na sua frente. Eu reconheci ali vários amigos meus, assim como eu mesma e diversas situações que todo nerd já passou na vida.
Destaque especial para a cena da dinâmica em grupo e para a sessão de RPG, hilárias!
O livro conta um fragmento de vida de Lucas (juro que fiquei com curiosidade para saber mais) e seus amigos pouco antes da estréia do filme “Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel” (será que isso foi um spoiler?).
Eu estava lá, naquela fila de cinema! Não exatamente na fila descrita no filme, mas estava cedo, depois do réveillon esperando ansiosamente as portas se abrirem. Quem não estava?
O nerd travado, o nerd de sebo, o nerd insistente, a she-nerd, a namorada chata, estão todos lá!
A única pena, ou não, é que Nerdquest não é um livro para ser indicado para sua irmã patricinha. Quer dizer, o tema do livro é universal, mas 90% da graça está nas referências, coisa que poucas pessoas de “fora” dificilmente entenderia.
Pode parecer esnobe ou mesmo sectário, mas a verdade é que esse é um livro escrito por um nerd para outro. Se você se encaixa nesse perfil esse livro é diversão garantida.
Parabéns, Pedro!
* Esse artigo foi escrito no dia 22/05/2009
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008
Dias de Ficção
Mais um dia de ficção.
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Domingo, 28 de Setembro de 2008
Patre Primordium
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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008
Além do Abraço - parte 4
9 - O final de Cassius
Mais tarde nessa noite eu fui visitar Albert e lhe contei o que tinha acontecido.
- Enfim chagou o dia da minha redenção contra esse ignóbil!
Albert então me deu todas as instruções de como eu deveria agir para acabarmos definitivamente com Cassius. Nesse momento eu pensei que talvez minha vida não estivesse tão mal, se tudo se resolvesse, Albert poderia me libertar e eu poderia ficar com Helena.
Então na noite seguinte eu disse que dessa vez ele poderia participar ativamente da caçada e ele deu pulinhos de alegria.
- Como vai ser dessa vez, meu amor?
- Eu tenho uma idéia, Cassius, você gosta do lobo mau?
Eu saí da casa e fui atrás da minha caça enquanto Albert se preparava para dar um flagrante em Cassius. Eu logo encontrei o que estava procurando, uma menina de uns doze anos mais ou menos e cabelinhos loiros. Eu parei o carro e ela veio até mim.
- O que o senhor quer?
- Entre no carro, minha criança.
Ela não era alta nem tinha corpo, realmente parecia uma criança indefesa. Eu a levei até minha casa e lá as camareiras arrumaram tudo. Depois de um bom banho, cachinhos no cabelo e uma capa de veludo vermelha ela parecia uma heroína do meu conto da fada. Assim levei a caça ao abatedouro.
Cassius tinha dispensado seus filhos em outras buscas e estávamos sozinhos na casa, bom, pelo menos era o que ele pensava, pois Albert e os outros vampiros mais velhos da cidade estavam lá, escondidos.
Logo que cheguei Cassius vibrou ao ver aquela menina.
Eu comecei a ditar as regras do jogo.
- Minha querida, o jogo é o seguinte, aquele senhor ali – apontei para Cassius – é o lobo mau, você como deve ter notado é a chapeuzinho vermelho e eu a vovozinha.
Eu peguei uma cesta de vime e dei para ela.
- Esses são os doces para mim, mas o lobo mau vai estar te seguindo, o único jeito de se salvar é encontrando a vovó antes que o lobo te encontre.
Eu vendei a menina e a rodei, ela saiu correndo enquanto eu e Cassius nos escondíamos na casa, ela tirou a venda. E a caçada começou!
Cassius se deliciava, eu me escondi nas sombras. Ela nunca iria me encontrar. Claro que a caçada não era difícil, mas o mais excitante era ver a menininha correr, gritar e chorar. Quando Cassius a encontrou e começou a sugá-la os três vampiros mais antigos da cidade saíram das sombras, mas Cassius só parou quando a menina já estava completamente morta em seus braços. Era dantesco ver aquele ser tão poderoso todo sujo de sangue diante daqueles juízes cruéis. Albert se manifestou primeiro e mandou me pegarem também.
Inicialmente eu não entendi, mas logo entendi que Albert não me deixaria viver de maneira alguma.
- Lucio, seu traidor!
- Não vê que me pegaram também?
- Senhores, eu devo dizer-lhes que foi muito astuto de vocês me preparar uma cilada, mas não me tirarão do cargo com tanta facilidade.
- Estou impressionado pequeno Cassiano, mas o que vimos foi suficiente – Albert disse isso com ar de triunfo.
Eu não disse nada, me sentiu impelido a proteger Albert, nem que isso custasse a minha vida.
- Qual será a sentença senhores? – perguntou Cassius.
- A morte final de vocês dois, é claro! – a maneira com que Albert dizia isso me assustava.
- Mas antes eu queria dar uma última ordem, ou se preferirem, um último pedido.
- Diga e veremos se é possível ou não.
- Existia outra pessoa envolvida nisso.
Quando Cassius falou isso um frio percorreu minha espinha.
- Quem? Fale logo! – os anciões já estavam ficando impacientes.
- Uma moça chamada Helena, se quiserem saber ela está nos espiando atrás do trono de cedro – ele sorriu triunfante.
Aquele maldito, ele tinha armado contra mim, se eu estivesse solto naquele momento eu mesmo tinha matado aquele imbecil.
Os mais velhos pegaram Helena. Ela se debatia e dizia que não tinha nada com toda aquela história, mas a única coisa que pude perceber era o olhar de desprezo que ela me dava. Então pela primeira vez eu me senti um monstro por fazer aquela pessoa me olhar daquele jeito.
Bem baixinho Cassius me perguntou se eu tinha gostado da pequena surpresa que ele tinha preparado para mim.
Albert deu voz de comando:
- Que todos morram!
Eu não me contive e uma fúria me subiu a cabeça e a partir daí eu não vi mais nada, a não ser sangue na minha frente. Quando acordei do transe eu vi que só havia sobrado Albert e Helena.
Albert aplaudiu efusivamente.
- Esse é o meu garoto!
Helena me olhava como se eu fosse um monstro e não merecesse compaixão, ela realmente estava muito chocada.
Albert colocou então a mão no meu ombro.
- Filho, agora você vai ter que sair da cidade.
- Você quase me matou Albert!
- A vida é uma selva, sobrevive quem pode, não quem quer.
Helena se ergueu de forma fria, como eu nunca achei que ela fosse capaz de fazer essa pessoa tão meiga.
- Tem razão senhor, e a partir de hoje eu também vou aprender a não confiar mais em qualquer um.
O tom de voz dela era como o aço.
- E você, meu filho?
- Eu também vou partir, mas quero que o senhor me livre do compromisso que tenho com você.
Nesse momento olhei para Helena e notei realmente que minha pós-vida tinha acabado e chorei, chorei lágrimas de sangue, ela simplesmente se virou e foi embora.
- Tudo bem, eu te livro do seu compromisso, mas a partir de hoje não te dou nem dinheiro, nem conhecimento.
- Obrigada mesmo assim, por me deixar sair vivo.
- Mas devo lhe dizer que vou te dar apenas dois dias de dianteira e a partir disso tanto Ariadne, quanto Bob estarão te caçando.
- Eu entendo meu senhor, deixe que venham.
Dizendo isso eu fugi.
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Além do Abraço - parte 3
O boato da chegada de um artista na cidade foi implantado antes mesmo que eu fosse vampirizado, portanto Cassiano estava esperando ansiosamente por esse momento.Uma festa foi preparada para esse acontecimento.
Fui levado até uma das saídas da cidade, deixado em um ponto e fui pego por uma limusine com vidros fumê. Então às 10 horas de uma quarta-feira sem lua a cidade que já havia me acolhido uma vez, me acolheu de novo, agora como um morto-vivo. Muito rico e famoso, mas um morto-vivo.
Fui diretamente para a maior casa da cidade, na área mais cara e privilegiada, onde eu tinha uma audiência com um senhor chamado Cassiano. Um nome já imponente, mas nada comparado à figura que eu viria a conhecer.
Quando entrei na magnífica casa, fiquei pasmo, pois não devia em nada para casa de Albert, porém havia uma diferença, a mobília dessa casa era alegre e colorida, repleta de luz. A casa parecia pulsar de vida, muito diferente da casa que eu havia passado os três últimos meses.
A festa para me receber estava alta quando eu cheguei, com muito vinho, mulheres bonitas e senhores distintos. O salão principal da casa estava cheio de gente, e no fundo pude ver uma cadeira de cedro, para onde fui conduzido, para o encontro do príncipe daquela cidade.
Cassiano parecia uma escultura grega vestindo Armani, seu olhar cativava a todos e ninguém passava sem notá-lo, era uma pessoa excessivamente carismática, com sua beleza andrógina. Qualquer outra descrição poderia ser injusta.
Ele se levantou e fiz uma reverência, ele sorriu e estendeu a mão.
- Seja bem vindo a nossa cidade.
- Muito obrigado, Sr. Cassiano.
- Por favor, me chame de Cassius e será meu amigo.
Eu sorri, ele também. Parecia que estávamos nos entendendo, mas uma coisa eu aprendi sobre a sociedade dos vampiros, nada é como parece.
- Venha, quero te apresentar algumas pessoas. – disse o príncipe.
Foi então que atrás da bela cadeira de cedro eu vi Albert olhando atentamente para mim, e logo eu percebi que estava entre a cruz e a espada.
Durante a noite fui apresentado a todos os senhores e senhoras importantes da cidade, inclusive a Albert, que demonstrou não ter gostado de mim. Que ironia, ele havia me colocado ali. O jogo era ainda mais cruel do que eu havia imaginado.
Todos pareciam querer me ver e falar comigo, menos uma pessoa. Era uma menina ruiva que estava sentada num canto da sala olhando para o chão. Naquele momento uma curiosidade cresceu dentro de mim, quem seria aquela única garota que não me bajulava?
Por instantes minha atenção foi toda dela. Ela aparentava uns 18 anos, era ruivinha com o cabelo bem liso e embaraçado, um vestido fino e florido na altura do joelho e uma botina preta no meio da canela meio aberta e desamarrada, além de muita maquiagem preto nos olhos cor de mel.
Era linda, mas de uma beleza diferente daquelas vampiras na festa. Não era glamourosa, mas simples. A beleza dela era como um soco na cara, uma beleza agressiva e selvagem.
De qualquer maneira não fui apresentado para ela durante a festa, e eu tinha uma missão a cumprir, tinha que me concentrar.
Já era meia noite quando finalmente Cassius me chamou para conversar em sua sala.
- Eu fiquei sabendo que você é uma artista, não é mesmo?
- O que o senhor considera arte?
- Eu sei muito mais sobre arte do que você imagina, Senhor Groher – ele deu um sorriso sarcástico.
- Pois eu considero arte aquilo que dá prazer aos sentidos. Cassius, minha produção é considerada por muitos, puro sadismo, mas nada mais é que pura arte.
- Quando, então, poderei apreciar o seu trabalho?
Ele tinha chegado no ponto onde eu queria, o plano de Albert até aquele momento tinha sido perfeito. Eu podia ver a curiosidade nos olhos dele.
- Quando quiser, meu senhor.
Ele bateu palmas, como uma criança, e sorriu.
- Então comecemos agora.
- Com pessoas aqui, meu senhor?
- Não, mandarei todos embora agora, do que você precisa?
A festa foi dada como encerrada e todos foram procurar os seus destinos, assim como eu, fui caçar na cidade pela primeira vez.
Meu sonho estava se realizando, eu estava caçando finalmente. Fui até um bar onde eu sabia que havia música ao vivo. Onde eu sabia que havia uma bela e talentosa cantora.
7 – A primeira caçada.
A moça que eu estava procurando estava lá, tocando a última seqüência de músicas. Ela tinha cabelos castanhos, cacheados e compridos, a pele morena e os olhos verdes.
Quando entrei no bar todas as pessoas voltaram seus olhares para mim. Um pequeno truque que eu havia aprendido com Albert. Nessa noite eu estava particularmente interessante, com meu blazer preto e minha camisa mostarda. Exatamente a roupa que eu tinha usado nos meus primeiros passos como vampiro.
Consegui uma mesa onde ela pudesse me ver diretamente. E fiquei olhando para ela. Pedi um dos melhores vinhos da casa e fiquei esperando com dois copos servidos na minha mesa.
Fiquei segurando o copo como se fosse um convite, que logo foi aceito quando o pequeno show terminou. Ela estava usando um belo vestido preto, sexy, sem ser vulgar.
Eu vi que ela estava envergonhada de vir até a minha mesa, mas não se privou da sua vontade. Quando chegou em frente a minha mesa eu levantei e puxei a cadeira para ela poder sentar. Ela retribui com um belo sorriso.
- Não pude deixar de notar a beleza da senhorita.
- Muito obrigada, senhor…
- Groher, mas pode me chamar de Lúcio. E a senhorita?
- Vanessa, senhor, quero dizer, Lúcio. Só Vanessa.
A conversa se alongou até o final da garrafa quando ela já estava pedindo para que eu a levasse para algum lugar.
- Mas nada de querer ir para a minha casa! – ela já estava bêbada quando disse isso.
- Claro, senhorita. Eu não sou inconveniente. Vamos para onde você quiser.
Assim eu pedi para que o chofer levasse meu carro e fui levando o carro dela até a casa de Cassius.
- Puxa, que casa você tem!
- Você ainda não viu nada.
Ela ficou deslumbrada com o luxo da casa do príncipe da cidade. A sala que eu havia pedido para ele arranjar já estava pronta e assim fui ficar sozinho com ela. A sala tinha um grande espelho no lugar de umas das paredes, era muito bem iluminada e tinha duas cadeiras de couro sujas de sangue no meio da sala.
Entramos e logo depois pude sentir a presença de Cassius do outro lado do espelho. Vanessa estava assustada as coisas não estavam saindo exatamente como ela esperava.
- Vanessa, você tem idéia de quem eu sou?
- Você? O que quer dizer com isso?
- Não fique com medo…
Estávamos de pé, fui até ela e a abracei por trás. Fiz carinho em sua nuca, em seu cabelo e ela arrepiou. Quando seu pescoço estava à mostra eu cravei lentamente meus caninos e suguei apenas o suficiente de sangue para que ela sentisse o terror e o prazer que aquela situação proporcionava.
Depois de alguns segundos de êxtase ela ficou completamente apavorada. Eu a deixei em pé e fui sentar em uma das cadeiras da sala.
- Por que você me trouxe aqui? – ela perguntou chorando.
- Porque você é especial, querida. Sente-se e acalme-se. Eu gostei muito de você, mas infelizmente eu vou ter que matá-la daqui a – olhei em meu relógio que marcava exatamente duas e trinta da manhã – meia hora.
- Por que? – ela já estava sentada, mas chorando muito.
- A pergunta não é por que, mas sim como você pode sair dessa. Você tem uma oportunidade de me convencer a não matá-la.
Ela foi até meus pés e implorou.
- Por favor, não me mate!
Eu passei levemente as mãos em seu cabelo macio e puxei com força sua cabeça para trás.
- Você quer algo de mim? Então não se rebaixe.
Eu puxei a moça pelo cabelo até próximo a sua cadeira e a joguei. Ela gritava e isso fazia meu sangue ferver de desejo de ter seu sangue em minha boca, mas a paciência e o tempo deixavam as coisas ainda mais excitantes.
- Seu tempo está passando…
- Mas, se eu não posso implorar!
- Ora, menina, seja criativa. Faça algo que me impressione.
Eu me sentei confortavelmente na cadeira, cruzei as pernas e juntei as pontas dos meus dedos.
Ele respirou fundo, ficou de pé e com uma voz inspirada ela começou a cantar uma canção de amor. Quando terminou ela veio até mim e me beijou.
Agora as suas lágrimas vertiam quase sem querer e novamente pude ver aquela beleza da primeira vez que eu suguei alguém. Ela estava se saindo melhor que eu esperava.
- Você me ama? – eu lhe perguntei.
- Na verdade, eu te odeio. Você quer me matar.
- Claro, isso é obvio, mas você quer se redimir antes de morrer? Perdoar-me antes de morrer? Ir diretamente para Deus?
- Na verdade, se eu fosse mais forte que você, te mataria. – podia ver o ódio nos olhos dela.
- Bom, a única forma de você sair viva daqui é me amando. Você deixaria seu ódio de lado pela sua vida?
Ela me olhou desolada, como se não acreditasse realmente que eu a deixaria sair, mas se havia uma maneira, ela tentaria.
- Eu te amo! – ela disse.
- Como você poderia provar que me ama?
- Como você quiser.
- Eu vou abrir a porta e se você decidir permanecer do meu lado, provará que me ama.
Eu abri a porta e ela sabia que não podia sair, afinal a casa estava cheia de seguranças. A porta ficou aberta por cinco minutos e ela nem sequer olhou para a saída.
- Muito bem, você foi muito esperta.
Fechei a porta, ela veio chorando até meus braços e eu a abracei.
- Agora, você me deixa ir?
- Claro que não, bobinha…
Assim eu a suguei o suficiente para que a minha sede fosse saciada. Ela morreu bem nos meus braços.
Nesse instante Cassius entrou na sala e me olhou com um misto de admiração e receio. Ele não sabia se me elogiava ou não, mas no fundo eu sabia que aquilo era exatamente o que ele gostaria de fazer, mas não podia.
Eu me inclinei e fiz a minha habitual reverência e, enfim, ele aplaudiu.
8 - Minha perdição
Depois dessa prova de fogo eu caí nas graças de Cassius. Ele mesmo providenciou para que o corpo da menina fosse desovado, a polícia da nossa cidade também não gosta muito de casos misteriosos.
Claro que tudo acontecia em segredo, pois nossas brincadeirinhas eram proibidas. E o pior de tudo era que ele gostava de me ver torturar as pessoas e um pacto foi feito, o que ele não sabia era que logo eu o trairia em nome de Albert.
Cada dia mais ele queria participar, mas eu nunca deixava. E quanto mais eu negava, mais interessado ele ficava.
Nossas festas estavam ficando mais freqüentes e começamos a ter problemas com a polícia, coisa que Cassius sempre dava um jeito e até dois meses depois nenhuma desconfiança recaia sobre nós. Até uma vampira agendar uma reunião, que Cassius dizia ser importante.
Ele insistiu muito para que eu estivesse presente e ficava dizendo como a pessoa que nós iríamos encontrar era feia e sem graça, que eu não deveria me preocupar com ela.
- Eu a deixo permanecer aqui por que é uma boa lutadora, pena que tão ingênua! Como ela é bobinha!
E continuava rindo.
Quando chagamos até o salão principal, o mesmo da festa, onde estava a cadeira de cedro, eu vi a mesma menina da festa, a anti-social, a mais bela de todas. E até mesmo demorou para que eu chegasse a conclusão de que era daquela menina que o Cassius estava falando.
- Então senhorita, qual é a pauta da nossa curta reunião?
- Lamento meu príncipe, mas acho que nossa conversa não vai ser curta, e a propósito eu gostaria de uma reunião particular! – ela olhou para mim, deixando bem claro que não gostava da minha presença.
- Estou incomodando? – perguntei.
Cassius me segurou pelo braço:
- Não, Lucio fica. Aliás, deixa-me apresentá-los, Lucio essa é Helena, Helena esse é meu braço direito Lucio.
Eu estendi a mão para cumprimentá-la, mas ela ignorou meu ato e continuou falando com o príncipe.
- Meu senhor, está acontecendo assassinatos na nossa cidade. E tenho quase certeza que são obras de um de nós. Exijo uma investigação e se assim for, que o vampiro seja morto, pelas nossas leis.
- Você tem alguma prova, qualquer coisa?
- Não senhor, ele tem muito cuidado, não houve nenhuma evidência concreta a não ser a falta de metade do sangue nos corpos – ela olhava com triunfo.
- Mas isso é uma acusação grave, como teve acesso à informação da falta de sangue?
Por um momento ela ficou quieta e pareceu irritada.
- Isso realmente importa?
- Claro criança, isso seria motivo para a caçada ao tal sujeito.
- Eu já fiz a minha parte! Eu dei a dica e se o senhor quiser, pesquise por si mesmo.
Ela virou as costas e saiu da sala. Nesse momento eu pedi permissão a Cassius para seguí-la, e ele consentiu.
Eu a segui furtivamente e ela parecia muito preocupada e pensativa para me notar.
- Babacas! – ela disse ao sair do portão.
- Pois não, senhorita, falou comigo?
- Você está me seguindo? – se ela fosse viva com certeza estaria corada.
- Desculpe-me, essa não foi a minha intenção.
- Mas você fez, me deixe em paz.
Ela estava indo embora quando eu disse que poderia ajudá-la.
- Mas você não é capacho de Cassiano?
- Senhorita, eu não sou capacho de ninguém. – meu sangue ferveu, mas eu me contive.
- Mas você sabe que se ele não quiser nada acontece.
- Não é bem assim, existem regras que até mesmo ele tem que seguir. Estar na posição dele requer algumas responsabilidades
- E você acredita nisso? – ela me olhou com espanto.
- Porquê? A senhorita não?
Ela olhou para o chão como se estivesse triste.
- Eu costumava acreditar, mas agora…
Ela abaixou a cabeça, sentou no meio-fio e assobiou. Segundos depois eu vejo um lobo cinza vindo na sua direção, eu me assutei. Porém o lobo parou e deitou aos pés dela não sem antes, é claro, rosnar para mim.
- Calma Garras, ele é amigo.
Eu fiquei lisonjeado com a confiança rápida que a menina me deu. Ela realmente era muito ingênua, mas isso só me trazia uma admiração estranha por aquela menina. Vontade de passar as mãos no rosto tenro e pálido dela.
- O senhor é bem diferente do que eu tinha pensado.
- Porquê? O quê você tinha pensado?
- Que era um mauricinho sem coração, igual ao Cassiano. Pra ele te aceitar como braço direito!
- Eu sou um pouco como você, tenho esperanças que esse jogo de poder pode mudar. – eu deveria ganhar um Oscar por essa fala!
- Que bom que existem pessoas como você do lado dele. Aliás, é melhor a gente sair daqui.
- Para onde você vai?
- Sei lá, acho que vou dar umas voltas por aí.
- Então vamos.
Eu tive vontade de ser adolescente de novo, de não preocupar, de sair na noite. E era exatamente isso que eu ia fazer. Saímos, fomos a um bar, dançamos, nos divertimos. Cada vez que eu olhava para ela, eu me encantava mais ainda. Ela conseguia se divertir, coisa que eu não fazia desde que eu tinha me casado, ainda vivo. E de repente eu me senti a vontade, e relaxei.
Quando saímos já era 5 horas eu não tinha mais tempo para ir até a casa de Cassius, ela me convidou para dormir na casa dela.
Quando chegamos me senti a vontade. A casa era exatamente o oposto da casa de Albert e de Cassiano, era pequena, de um cômodo. Então ela me convidou para dormir com ela na mesma cama. Dormimos assim, abraçados. Foi a melhor noite da minha vida.
Quando anoiteceu, eu a deixei dormindo e saí para casa de Cassius. Quando entrei ele já estava impaciente.
- O que você ficou fazendo com aquela menina? – ele tinha quase rancor na voz.
- Nossos interesses, acho que ela sabe mais do que aparenta.
- Ela não sabe nada e não seja idiota, aquela menina não oferece perigo, e devo pedir para que você não a veja mais!
- Cassius, você subestima os inimigos.
- E você os admira!
- Do que você está falando?
- Não seja idiota, ou você acha que eu sou? Acha que eu não vi como você olhou para aquela criança?
- Não seja ridículo!
- Eu? Ridículo?
Eu me controlei.
- Acho que vou me retirar por hoje, meu senhor, boa noite.
Eu já ia saindo quando ele me chamou.
- Lucio, não vá embora assim.
- Porque, senhor, ainda tem algo a dizer?
- Se sair daqui dessa forma você sofrerá. Eu já dei muito de mim até agora, quero ver os seus sacrifícios.
- Eu não preciso dá-los a você.
- Se você realmente pensa isso, Lucio, espero que sobreviva nessa cidade.
- Se não nessa, meu senhor, em outra. Já que me pede eu me retiro da cidade.
Segundos de suspense antes da minha reverência e ele se levantou, foi até mim, pegou suavemente no meu rosto e me fez um carinho lento e tenro.
- Não vá.
A voz dele estava quase sumindo.
- Lucio, eu te amo, não vá.
Ele agora estava exatamente onde Albert previu. Eu tinha feito a minha parte
- Nunca te abandonarei, meu senhor.
Eu disse e ele me abraçou.
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